segunda-feira, 21 de maio de 2007

I Ciclo de Seminários em Biopatologia

A Biopatologia reúne diversas áreas da Investigação Cientifica. A interdisciplinaridade destas ciências permite ao profissional de saúde melhor percepção da etiopatogenia, diagnóstico, terapêutica e prognóstico de diversas patologias.

O termo da Biopatologia surgiu no âmbito da criação e oficialização futura do Centro de Biopatologia da Faculdade de Ciências da Saúde que vai integrar a área da Imunologia, da Bioquímica, da Patologia molecular, da Genética, da Microbiologia e da Anatomia Patológica.

Realizado na Universidade Fernando Pessoa, entre os dias 14 de Fevereiro e 02 de Maio de 2007, o I Ciclo de Seminários em Biopatologia teve por objectivo dar a conhecer as múltiplas vertentes da Investigação Ciêntífica desenvolvida em Portugal, nomeadamente em áreas como a Patologia cardíaca, Cancro, Hematologia, Doenças infecciosas, entre outras. A comissão organizadora, integrada pela Prof.ª Doutora Ana Rita Castro, pela Prof.ª Doutora Sandra Clara Soares e pela Mestre Marta Pinto procurou divulgar a investigação em algumas áreas afins aos cursos de Saúde da FCS.

Pessoasrevista- Como é que o estudo da Biopatologia pode ajudar a chegar a um tratamento para as várias doenças?

Marta Pinto - Quando se pretende tratar uma doença que está inerente a uma deficiência celular é muito importante saber o que causou essa alteração. Por isso, dentro das diversas áreas da Biopatologia, ao estudar os mecanismos moleculares da doença nós vamos conseguir saber onde actuar, que drogas usar e tentar trava-los na evolução dessa doença.

-Para alem das análises clínicas que outras áreas da saúde se relacionam com a Biopatologia?

- Biopatologia é uma área extremamente vasta, por isso, quase todos os cursos da saúde podem estar envolvidos em estudos biopatológicos. Só para ter em exemplo, nos seminários que foram realizados, estavam presentes alunos de todos os cursos de saúde daqui da Universidade o que prova que a Biopatologia é importante para muitas pessoas e muitos cursos inclusive.

-Considera que os Institutos de Investigação Cientifica em Portugal estão preparados para desenvolver Investigação nesta área?

- Sim. Um dos objectivos dos seminários foi, precisamente, mostrar aos alunos e às pessoas que se faz boa investigação em Portugal. Dentro daquilo que nos é possível em termos de financiamento, Portugal está bem equipado e consegue fazer boa investigação.

-Há apoios do Estado para a Investigação?

-A única fonte de financiamento para a investigação é a Fundação Ciência e Tecnologia, que não é suficiente. Não se pode dizer que não há, mas não são de todo suficientes.

-Qual o impacto destes seminários para a Universidade?

Ana Castro – Sendo uns seminários de entrada livre permitiu que não só os alunos como outras pessoas exteriores à Universidade pudessem assistir. De facto, eram essencialmente, pessoas relacionadas com a área da saúde, mas não só alunos como farmacêuticos e trabalhadores de laboratórios privados e do IPO.

- A escolha das patologias para cada um dos seminários, teve algum objectivo em particular?

-Sim. Tentamos escolher uma patologia de cada uma das áreas a abordar que sabemos que são do interesse geral da população, como por exemplo o cancro. Na escolha dos seminários pesou ainda o curriculum dos palestrastes, que são todas elas pessoas ligadas à investigação, e de preferência que façam a ponte entre investigação e clínica.

-Qual a aderência dos alunos aos seminários?

Sandra Soares - A maioria das pessoas que tivemos, e tivemos sempre entre quarenta e noventa participantes, foram alunos desta Faculdade. Tivemos, pontualmente, algumas pessoas ligadas a Instituições como a Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, ligadas ao Hospital Santo António, IPO, IPATIMUP e, também, FFUP e FCUP.

-Esta resposta dos alunos mostra, de algum modo, que eles como futuros profissionais da saúde se preocupam com a Investigação Cientifica?

- Falando globalmente de todos os seminários, houve uma grande participação de alunos de Análises Clínicas, Medicina Dentária, Ciências Farmacêuticas, Enfermagem e Fisioterapia, mas directamente naqueles temas que eram relacionados com eles. Por exemplo, como no tema da Endocardite Microbiana que foi apresentado pelo Professor Luís Martins, aderiram mais alunos de Medicina Dentária, porque se relacionava directamente com eles. Os seminários do Cancro da Mama e da Lúpus foram os que tiveram uma participação de quase todos os alunos de todos os cursos porque interessam-se por estas patologias.

- Qual o balanço geral que fazem deste 1º ciclo de seminários?

- O ciclo decorreu de forma bastante aberta e isso foi de certeza um dos factores que contribuiu para ter corrido tão bem. Vai ser realmente um ciclo a continuar para o ano, provavelmente, com o mesmo formato tendo sempre o cuidado de convidar pessoas que tenham provas dadas nas áreas que vão falar. Em Março e Maio foram realizados inquéritos, para saber como é que os seminários estavam a correr e também para saber que tipo de sugestões os participantes dariam em relação a temas abordados, e ao formato dos seminários. O feedback dos inquéritos permitiu já saber que o evento teve um impacto muito positivo na população estudantil, que pretende ver tal sucesso repetido no futuro.

Nenhum comentário: