Ministério da Educação reforma modo de leccionar as aulas do 2º ciclo do ensino básico.
A ideia de continuidade, de um único professor acompanhar o aluno no seu percurso escolar, até ao sexto ano está na eminência de ser aprovada pelo Ministério da Educação. Segundo Valter Lemos, Secretário de Estado da Educação, esta medida visa evitar que haja uma transição de um para dez professores entre o quarto e o quinto ano de escolaridade.
A voz dos Professores
Uma entrevista realizada na Escola EB2,3/S de Baião no dia 6 de Março de 2007 relata a opinião dos professores acerca deste assunto. Com uma posição, que ainda não é relevante acerca do assunto, nenhum deles concorda com a legislação a ser implementada pelo Ministério da Educação, que considera que as aulas do segundo ciclo do ensino básico sejam leccionadas pelo professor generalista.
A principal razão apontada para este descontentamento, centra-se na base de um só docente não ter a capacidade de leccionar as várias disciplinas” tenho duvidas na capacidade de um professor apenas ser capaz de leccionar todos os temas, e não ser tão bom para os alunos”, explicou Paula Pires, Professora de Matemática, porque têm vocação para ensinar algumas áreas e não todas, logo a qualidade do ensino ficará deteriorada.
Logo, são os alunos que mais perdem com esta legislação, porque diminuindo a qualidade de ensino, os resultados escolares também piorarão, quem o diz, é Maria Benilde Caetano, Professora de Matemática e Ciências da Natureza “ Não estou a ver um professor de matemática a leccionar português, assim, como não estou a ver um professor de português leccionar matemática.”
Para Hélder Lemos, Representante do Conselho Executivo da Escola, esta mudança no ensino leva a uma reestruturação orgânica na escola, nomeadamente a criação de novos horários escolares. Em relação aos alunos, Hélder Lemos, pensa que estes não ganharão nada com esta situação, “ … um professor generalista é o que eles têm no 1º ciclo, e no 1º ciclo funciona, mas depois a nível do 2º ciclo, acho que os conteúdos começam a dificultar e nem todos os professores se sentirão à vontade em todas as áreas.”, Acrescentando ainda, que só uma formação adequada ira minimizar estes maus resultados.
O que vai no Pensamento dos alunos
“ Se eu não gostar do professor, e tiver só aquele professor para dar a disciplina, acho que me vou desleixar completamente”. É assim, que Rafael, aluno do 11º ano de escolaridade, pensa que vão reagir os alunos do ensino básico.
A uma só voz, foi dito por estes, que os professores não têm capacidade para responder as necessidades dos alunos, uma vez que, no actual método de ensino os professores especializam-se numa só área e a partir de agora teriam de se especializar nas áreas básicas e nem todos têm vocação para leccionar todas as disciplinas, facto também apontado pelos professores, “ os professores quando se formam têm a sua especialidade e gostam mais de uma área do que da outra” diz Joana, aluna do 11º ano de escolaridade.
É de salientar, ainda, que alguns reponderam que nada sabiam acerca deste assunto, que se pode depreender tanto na falta de interesse como na falta de informação que lhes é dada.
“Uma mudança radical, numa idade que ainda é um bocado cedo”
Mais preocupados com a psicologia da criança do que com o método de leccionar as aulas, foi assim, que muitos pais manifestaram a sua opinião em relação a esta medida que será implementada pelo ministério da Educação.
Não se mostrando totalmente descontentes com esta nova legislação, alguns destes encarregados de educação relacionam uma transição, muitas vezes brusca, que os alunos sofrem do 1º para o 2º ciclo, porque ainda são muitos novos e não têm a capacidade de reacção exigida, “ Eu penso que será uma boa alternativa dado que, já no quarto ano eles estão com um único professor e penso que a adaptação depois no 5º e 6º ano de um professor que leccione varias disciplinas será bastante benéfico para os alunos”, quem o diz é Luísa Dias, empregada de escritório.
Mas, como em todas as medidas há prós e contras, esta não é excepção. O problema que leva estes pais a se questionarem se esta medida vai resultar ou não coloca-se na medida em que, “ depende se os professore estão preparados para leccionar tudo”, diz Hermínio Fonseca, Militar, porque, enquanto que, no actual método de ensino os alunos correspondem as expectativas que incidem sobre eles, a partir de agora, o futuro reservado para estes, é uma incógnita.
Mas, nem todos partilham da mesma opinião. Alguns pais entrevistados consideram que, o ensino não tem nada a ganhar com nova legislação e são os alunos os mais prejudicados, pois, já que não terão o devido acompanhamento na transição do 1º para o 2º ciclo, “O professor não é capaz de dar as disciplinas todas, não consegue usufruir do poder que tem para as dar”, diz Fátima Nunes, Comerciante.
"A docência generalista, na educação pré-escolar e nos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico".
Para um melhor esclarecimento sobre, o que na realidade significa o “Professor Generalista” foi contactado o Sindicato de Professores do Norte (SPN), representante da FENPROF, na região norte do país. Em comunicado escrito, José Costa, faz saber que o que está em causa é um novo tipo de formação para a docência que visa um novo modelo de professor. Para ele, que o está em causa neste momento, e que tem sido questionado pela FENPROF só terá reflexos daqui a cinco anos, altura em que saíram os primeiros diplomados pelos termos agora regulados “Mas não poderá ocorrer qualquer generalização de práticas pois todos os restantes docentes no sistema terão uma formação totalmente diferente, orientada apenas para uma determinada área ou disciplina, não podendo, pois, ser generalizada apenas uma forma de distribuição do serviço nas escolas”.
Esta generalização da docência terá de respeitar as diferenças de formação dos docentes e este professor generalista nunca será único pois é coadjuvado nas áreas de expressão e língua estrangeira. O que até então era um projecto está agora corporizado em Decreto-Lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro.
Em sequência de contactos realizados, a CONFAP, Confederação Nacional das Associações de Pais, faz saber na voz da Vice-presidente, Dra. Emília Bigotte, que neste momento não há uma posição institucional relativamente a este assunto, tendo havido intenção de o mesmo ser discutido numa reunião do Conselho Executivo, mas tal não foi possível.
Quem também, não se mostrou disponível para esclarecimentos foi o Ministério da Educação, pois até à data não se verificou qualquer resposta dos diversos contactos estabelecidos.
Em conclusão, as leis que alteram a monodocência e a coadjuvação podem ser introduzidas no quadro normativo decorrente do novo modelo de direcção, administração e gestão das escolas, contudo, há ainda, inúmeros obstáculos a ultrapassar, como por exemplo, as características da rede escolar, a degradação dos edifícios e a formação de professores que ainda nos afecta.
Bruno Miguel Amorim, nº 14165
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