terça-feira, 15 de maio de 2007

Rendimento Fortificado

A ansiedade, o trânsito, a correria constante para apanhar os transportes, a preocupação de chegar a horas, a altura dos exames e trabalhos escolares são alguns dos muitos factores que levam as pessoas ao stress e por consequente à procura de vitaminas.

Como a própria palavra indica, vitaminas designa vita (vida) e aminas (produtos nitrogenados). As vitaminas são elementos nutritivos necessários à vida humana. Na sua maioria, possuem produtos nitrogenados que o organismo não fabrica e, se faltarem na nutrição, irão provocar carência de vitaminas no organismo. Assim, manter uma alimentação variada e completa é indispensável uma vez que as vitaminas são obtidas através da alimentação à excepção da vitamina A e K que são produzidas pelo organismo.

As vitaminas dividem-se em dois grandes grupos, as hidrossolúveis, que se dissolvem na água (B1, B2, B6, B12 e C), e as lipossolúveis que se dissolvem na gordura (A, D, E, K). As lipossolúveis não podem ser tomadas indiscriminadamente, uma vez que se acumulam na gordura podendo haver hiperdosagem de vitaminas. O mesmo não acontece com as hidrossolúveis pois as que forem tomadas em excesso serão, posteriormente, excretadas pela urina.

Existem duas categorias vitaminicas: as farmacológicas e as naturais e como explicita o farmacêutico Humberto Santos “as vitaminas farmacológicas são aquelas que são sintetizadas quimicamente, enquanto as naturais são retiradas de plantas e animais por processos naturais, não envolvendo síntese química” acrescentando que “ as vitaminas naturais têm mais valias, principalmente se forem tomadas do próprio alimento, nas concentrações e relações exactas”.

Porquê tomar vitaminas?

O dia após dia agitado que muitos enfrentam é um factor determinante para a causa de problemas de stress. De acordo com o médico de clínica Geral, Felizmino Jacob, médico da norteclínica em Bragança “ As pessoas da cidade têm tendência a ter mais problemas de stress do que as do campo que têm uma vida mais calma”. Situações de stress, produzem adrenalina consumindo grandes quantidades de vitamina C.

Dulcina, educadora de infância, de 51 anos refere “ trabalho 7 horas directas, sem contar com os trabalhos que levo para casa e, como trabalho com crianças de idade pré-escolar, faz com que o meu dia se torne mais agitado e cansativo, pelo que já senti necessidade de recorrer ao médico”.

No entanto, são os estudantes que recorrem, com mais frequência, a compostos vitamínicos. A falta de concentração, memorização e de apetite são alguns dos motivos pelos quais procuram reforços vitamínicos. Paulo, estudante do 3º ano de arquitectura assume que “ todos os anos, na altura dos exames e entrega dos trabalhos, necessito de um reforço para me ajudar”. Elisabete Santos, 27 anos, técnica de recursos humanos recorda “ Quando tinha 18 anos, devido à preocupação com os exames nacionais e a entrada na Faculdade, perdi apetite e muito peso, mas, após esse período, nunca mais recorri a vitaminas.” Também Raquel Moreira de 23 anos, enfermeira menciona “quando era mais nova, em período escolar, cheguei a tomar alguns suplementos vitamínicos. Desde que trabalho nunca necessitei de recorrer a vitaminas”.

Muitos são aqueles que recorrem aos suplementos vitamínicos para aumentar o seu rendimento diário. Mas será que realmente as vitaminas aumentam a capacidade de raciocínio, memorização e concentração? Para Fernando Pinheiro, médico de clínica geral “ no caso da memória e concentração está provado que nenhuma vitamina tenha efeito sobre isso”. Muitas vezes, há o efeito placebo nas pessoas “a pessoa está a tomar o medicamento e tem uma acção psicológica muito importante”, Refere. Sendo que, nestes casos, “estar a tomar por exemplo, um comprimido de amido ou um comprimido com outra substância seria o mesmo pois não são as substâncias contidas no medicamento que iriam actuar no paciente”, afirma Fernando Pinheiro. Contudo, é óbvio que estes suplementos vitamínicos são eficazes quando as vitaminas C e as do complexo B, designadamente as B6, B1 e E estão em falta no nosso organismo.

Como refere o médico Fernando Pinheiro “ se estas vitaminas estiverem em falta, obviamente, há dificuldade de memória e concentração”. Para que tal não aconteça, e como refere Felizmino Jacob “se as pessoas fizerem uma alimentação correcta, racional e equilibrada os suplementos vitamínicos não serão necessários”.
Contudo, devido à falta de tempo nem todos têm uma alimentação balanceada recorrendo a refeições rápidas esquecendo a fruta, vegetais e grãos que são fundamentais e ricos em vitaminas. Nestas situações irá haver carência de algumas vitaminas sendo por isso necessário um complemento adicional que melhore o bem-estar essencial ao organismo mas que não irá, de modo algum, aumentar a concentração nem a memorização, apenas irá restabelecer o bem-estar.

Quais os suplementos vitamínicos mais apropriados?

Uma vez que as vitaminas não são comparticipadas e são consideradas complementos da alimentação, elas não têm, necessariamente, de ser recomendadas por profissionais, embora o aconselhamento de médicos, farmacêuticos e técnicos de farmácia seja a atitude mais correcta a tomar.

Quando se trata de recorrer a suplementos vitamínicos, muitas são as opções de escolha.
O complexo vitamínico mais prescrito, uma vez que a maioria das pessoas se alimenta mal, são aqueles que têm todo o tipo de vitaminas, ou seja, os multivitaminicos, embora, depois, se coloque a questão da biodisponibilidade. A biodisponibilidade está relacionada com o facto de que, quando se está a tomar um comprimido, ele é, posteriormente, biodisponível, ou seja, se é absorvido e passível de ser utilizado pelo organismo. A biodisponibilidade é a grande dúvida dos medicamentos, sobretudo no caso das vitaminas.

Apesar das inúmeras “soluções” em suplementos que melhorem o bem-estar de cada um, nenhuma solução é tão eficaz como a de uma alimentação completa, variada e equilibrada.

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